Categorias financeiras: como estruturar despesas para um DRE útil desde o início

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Categorias financeiras são as etiquetas que você coloca em cada despesa para dizer ao sistema, e a você mesmo, o que aquele gasto representa. Aluguel, folha de pagamento, marketing, matéria-prima: cada um vai para uma categoria diferente. 

É essa estrutura que o DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício) usa para mostrar se o negócio está lucrando ou não.

O problema é que categorias criadas sem critério geram um DRE confuso desde o primeiro lançamento e consertar depois é trabalhoso. Este artigo orienta como pensar essa estrutura antes de começar a lançar.

 

Por que a estrutura de categorias importa

O DRE agrupa receitas e despesas em grupos para calcular margens e resultados. Se suas despesas de pessoal e de marketing estão na mesma categoria genérica chamada "Despesas gerais", o DRE não consegue mostrar o custo de cada área separadamente e você perde a capacidade de diagnóstico.

A pergunta certa antes de criar qualquer categoria é: o que preciso enxergar no DRE? A resposta define quantas categorias você precisa e como nomeá-las.

 

Os três grupos de despesas que todo DRE precisa

Para a maioria das empresas pequenas e médias, as despesas se organizam em três grupos principais no DRE:

  • Custo dos produtos ou serviços vendidos (CPV/CSV): o que você gasta diretamente para entregar o que vende. 

    Exemplos: matéria-prima, comissão de vendedores, hospedagem de software usado no serviço prestado.
     
  • Despesas operacionais: o que você gasta para manter a operação funcionando, independente do volume de vendas. 

    Exemplos: aluguel, salários administrativos, internet, contabilidade.
     
  • Despesas financeiras: encargos, juros, tarifas bancárias, IOF.

 

Antes de criar qualquer categoria nova, classifique mentalmente a despesa em um desses três grupos. Isso garante que o DRE consiga calcular a margem bruta (receita menos CPV/CSV) e o resultado operacional separadamente.

 

Atenção!

Uma categoria financeira só aparece no DRE se estiver vinculada a um grupo do relatório. 

Criar a categoria não é suficiente, você também precisa configurar essa vinculação em Relatórios > ícone de engrenagem > Configurar DRE.

Veja como configurar categorias e personalizar o relatório

 

Boas práticas para nomear e organizar categorias

Use nomes que reflitam o negócio, não a contabilidade. "Aluguel do escritório" comunica mais do que "Despesas com imóveis". O objetivo é que qualquer pessoa da equipe entenda onde lançar sem precisar perguntar.

Prefira menos categorias bem definidas a muitas categorias vagas. Uma estrutura com 8 categorias claras é mais útil do que 30 categorias onde metade dos lançamentos acaba em "Outros".

Use subcategorias para detalhar, não para criar mais grupos. Se você tem despesas de marketing em diferentes canais, crie "Marketing" como categoria-pai e "Marketing digital", "Eventos" e "Material impresso" como subcategorias. 

Assim, o DRE pode mostrar o total de marketing ou o detalhe por canal, dependendo do que você precisar.

Evite a categoria "Outros" como destino permanente. Se um tipo de despesa aparece frequentemente em "Outros", crie uma categoria específica para ela.

 

Exemplos práticos de estrutura por tipo de empresa

A estrutura ideal de categorias varia conforme o modelo de negócio. Encontre abaixo o exemplo mais próximo da sua operação e use como ponto de partida, ajustando os nomes conforme a realidade da sua empresa.

 

Importante!

Converse com seu contador antes de definir a estrutura final de categorias. 

A organização ideal para gestão nem sempre coincide com a estrutura contábil, e alinhar as duas desde o início evita retrabalho na geração de relatórios para fins fiscais.

 

Empresa de serviços

O custo do serviço é composto principalmente por pessoas e ferramentas. A separação entre custo da entrega e despesa administrativa é o que permite enxergar a margem real de cada serviço prestado.

  • Custo do serviço: Salários da equipe técnica, Ferramentas e softwares de produção, Subcontratações
  • Despesas comerciais: Marketing digital, Comissões de vendas
  • Despesas administrativas: Aluguel, Salários administrativos, Contabilidade, Internet e telefone
  • Despesas financeiras: Tarifas bancárias, Juros

 

Comércio

No comércio, o custo da mercadoria vendida (CMV) é o grupo mais relevante e o que mais impacta a margem bruta. Separar compras de estoque das despesas operacionais é o primeiro passo para entender se o negócio é rentável.

  • Custo da mercadoria vendida: Compras de estoque, Fretes de compra, Importações
  • Despesas comerciais: Taxas de marketplace, Embalagens, Comissões de vendedores
  • Despesas operacionais: Aluguel do ponto de venda, Salários, Energia elétrica, Segurança
  • Despesas financeiras: Tarifas bancárias, Taxas de maquininha, Juros

 

Indústria

Na indústria, o custo de produção envolve insumos, mão de obra direta e custos do processo fabril. Manter esses custos separados das despesas administrativas é o que permite calcular o custo real de cada produto fabricado.

  • Custo de produção: Matéria-prima, Mão de obra direta, Energia do processo produtivo, Manutenção de equipamentos
  • Despesas comerciais: Fretes de entrega, Comissões, Marketing
  • Despesas administrativas: Salários administrativos, Aluguel, Contabilidade, TI
  • Despesas financeiras: Tarifas bancárias, Juros de capital de giro

 

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